20/06/2012

Criações mentais

Segundo nos relatam as inteligências extrafísicas, o planeta Terra é um organismo vivo e pulsante; interage com as inteligências encarnadas e desencarnadas, as quais irradiam pensamentos ininterruptamente. Esses pensamentos manifestam-se ora como ondas, ora como raios, que partem da fonte geradora e produzem uma espécie de associação, mais ou menos duradoura, com outras imagens mentais ou formas-pensamento. A durabilidade dessa associação é proporcional à qualidade e à intensidade da força que mantém coesos tais pensamentos afins.

Entendemos, a partir daí, que os pensamentos de ordem superior, ao circularem em torno da atmosfera psíquica do planeta, compõem um cinturão de correntes mentais que abastece as inteligências encarnadas e desencarnadas que se sintonizam com elementos dessa natureza.
Assim é que artistas, sensitivos, cientistas, médiuns e todos aqueles que mantêm uma atividade mental superior, desenvolvendo seus raciocínios e buscando inspiração para qualquer tipo de tarefa com objetivos nobres, acabam por se sintonizar com correntes mentais de ordem elevada. Pietro Ubaldi foi provavelmente quem melhor definiu essas associações mentais superiores, denominando as noúres. As noúres refletem os pensamentos de todos os seres elevados, o conhecimento universal, e constituem-se na maior fonte de inspiração superior para os habitantes do planeta Terra. Processo análogo ocorre com os pensamentos considerados inferiores.
Fundamentados em informações dos espíritos e de diversos pesquisadores encarnados, sabemos da capacidade de emissão da mente humana, que se define em termos qualitativos, por meio das vibrações, ou em relação à sua frequência, que pode ser alta ou baixa. Por outro lado, as ondas formadoras das correntes de pensamento, que circundam a aura magnética dos seres humanos e do planeta, são tão mais fortes quanto mais fortes e elevados forem os pensamentos e sentimentos que se mesclaram no ato mental. Sendo assim, tanto a classificação ou a qualidade quanto a duração das ondas mentais estão subordinadas aos sentimentos e à elevação de intenções ou propósitos da mente geradora. As correntes de pensamento alcançam maior frequência vibratória à medida que ficam impregnadas do desejo de ajudar, esclarecer, progredir e amar.
Diante do exposto, fica patente que o poder dos indivíduos que buscam o desenvolvimento espiritual e que trabalham pelo bem, pelo amor e pelo progresso supera grandemente a condição daquelas mentes enfermiças que ainda não despertaram para as noções de melhoramento, renovação e aperfeiçoamento. Lembro-me de Gandhi, quando afirmou que “Se um único homem chega à plenitude do amor, neutraliza o ódio de milhões”. Desenvolvendo a reflexão do Mahatma, talvez possamos concluir que, se milhares de indivíduos compreenderem que podem expressar nem que seja uma diminuta parcela de amor, em forma de cooperação, solidariedade, honestidade, lealdade, neutralizaremos o ódio daqueles que ainda permanecem ignorantes das leis da vida.
Uma das coisas que determina fortemente a elevação da frequência vibratória do pensamento é o amor desinteressado.
E é claro que o contrário também é verdadeiro: o egoísmo, as paixões aviltantes, a falta de sintonia com os elementos de progresso produzem um rebaixamento das vibrações dessas correntes mentais. Elas passam a formar uma espécie de egrégora ou conjunto de formas pensamento que gravitam muito próximo à esfera física.
Aqueles seres que se sintonizam com a mágoa, a tristeza, a indiferença, o egoísmo e os interesses mesquinhos captam dessa egrégora elementos mentais que abastecem esses pensamentos e sentimentos desorganizados e desinteressantes para o progresso humano.
Desta maneira, deduz-se quanto é valiosa a reeducação dos impulsos da alma. Selecionar o alimento mental passa a ser tão ou mais importante que escolher o alimento material. Conhecer-se para detectar a fonte das emoções desequilibradas passa a ser condição sine qua non para uma vida digna de filho de Deus, para uma existência feliz. Sentimentos e emoções de baixo teor, como os descritos no parágrafo anterior, serão detectados pelo ser que busca espiritualizar-se, com a máxima prontidão possível, a fim de que sejam compreendidos e transmutados.
Esse exercício possibilitará uma plantação de qualidade, com uma colheita de resultados compensadores, imersos num mar de noúres.
Conhecendo um pouco mais sobre o mecanismo de funcionamento das criações mentais, podemos compreender onde se localiza a fonte de inspiração para escritores, oradores, médiuns, cientistas e outras pessoas que têm o interesse de esclarecer, incentivar o progresso e impulsionar a evolução humana. Fica mais claro como ocorre o trânsito das informações, chamadas pelos encarnados de inspiração.
Além de desenvolverem raciocínio próprio, ocorre também que tais indivíduos, durante os momentos de desprendimento do corpo ou mesmo na vida intrafísica, conseguem conectar-se às correntes mentais de ordem superior que circundam a aura do planeta. São médiuns, muitas vezes inconscientes do que se processa nesse instante sublime de conexão com os valores e os conhecimentos arquivados na memória astral do mundo.
Eis por que encontramos muitos pensadores de boa-fé sejam escritores, médiuns, cientistas… – que, ao descrever suas teses, fazer abordagens ou exprimir pensamentos pela linguagem escrita ou falada, parecem valer-se de pensamentos e até de frases inteiras já vistos, expressos ou escritos. Isso ocorre porque se sintonizaram com as correntes mentais circundantes da aura magnética planetária e beberam diretamente da fonte de inspiração universal.
É tola, portanto, a vaidade daqueles que teimam em considerar-se “os primeiros”. O conhecimento está disponível a tantos quantos, imbuídos do impulso de buscar o progresso, a beleza, o bem, o amor, consigam colocar-se em sintonia com as ondas sutis que trafegam no espaço infinito, provindas dessa “biblioteca” sideral, depositária de tesouros inestimáveis. Sem deixar de considerar a capacidade individual e a influência dos benfeitores espirituais, essa é a razão pela qual mais de uma pessoa, ao mesmo tempo, em diversas partes do globo, reivindicam uma descoberta ou a autoria de uma obra.
Nesses momentos de conexão, em que a mente encarnada ou desencarnada está sintonizada com estudos e ideias de âmbito universal, não ocorre apenas a inspiração de determinado espírito que a assiste. Ao ligar-se ao conteúdo esparso nas ondas de pensamentos superiores, a mente absorve indistintamente o conhecimento registado nos arquivos sutis da luz astral. Por isso é que muitas vezes identificamos pontos de vista exatamente iguais – expressos nas psicografias, por exemplo –, uma vez que, em estado de transe, o sensitivo expande sua consciência e se abastece diretamente dessa fonte inesgotável. Como existem outros sensitivos e muitos médiuns, escritores, artistas, cientistas e pensadores que também se elevam vibratoriamente às frequências de natureza superior, e todos se acham, em dado momento, mergulhados no mesmo oceano de ideias.
Nesse contexto, trabalhos, raciocínios, deduções e interpretações sob a sua responsabilidade dificilmente poderão ser considerados originais, no sentido estrito do termo, ou de autoria exclusiva, pois que a ideia central provém de um manancial comum.
Levando-se em conta a realidade dos fenómenos psíquicos inerentes a todos os humanos, encarnados e desencarnados, podemos entender melhor o pensamento do codificador do espiritismo. Allan Kardec chama de universalidade do ensino dos espíritos o fenómeno pelo qual médiuns ou pessoas diferentes, sem se conhecerem, apresentam trabalhos e raciocínios, mensagens e ideias comuns, muitas vezes empregando palavras e até frases inteiras iguais. É que a fonte de inspiração foi a mesma.
Aliás, ele via isso com bons olhos, tanto que estampou esse critério como selo de aprovação para novos princípios se integrarem ao corpo da doutrina que inaugurava.
Uma vez conectados às correntes mentais superiores, em estado de transe ou de expansão da consciência, tais indivíduos, além de inspirados diretamente por entidades extrafísicas, alcançam esses domínios da mente, os registos mentais, e neles mergulham durante o processo de desdobramento de suas atividades, no desenvolvimento de sua obra.
Esta visão mais ampla do processo de inspiração contribui para compreendermos factos como o que se vê ao analisarmos as pregações de Jesus, que pareceu repetir alguns ensinamentos vindos antes dele, atribuídos a Buda, Sócrates e outros representantes do pensamento evolucionário da humanidade. É que estavam ligados mentalmente à mesma fonte sublime, na qual abasteciam suas mentes e de onde extraíam a sua mensagem. Algo semelhante se encontra nos escritos de Allan Kardec, quando o eminente Codificador expressa determinados pensamentos e raciocínios encontrados em textos e trabalhos desenvolvidos por predecessores. Facto idêntico ocorre com médiuns que canalizam mensagens, e depois encontramos os mesmos elementos presentes, ainda que de modo esparso, em outros escritos. Muitas vezes, por ignorar o processo mental de sintonia fina no qual se encontram em momentos de transe, deduzimos ser plágio. Desconhece-se que as correntes de pensamento superiores podem ser acessadas mediante maior ou menor concentração mental, especialmente por causa da identidade de interesses.
No processo mediúnico, por exemplo, o médium não está somente em sintonia com o espírito que o assiste no momento; além disso, apresenta suas faculdades e paracapacidades mais dilatadas, de maneira abrangente. Isso faculta ao sensitivo captar informações dos registos siderais nos quais estão impressos pensamentos e raciocínios, o que, evidentemente, acontece também entre os escritores e artistas. Ainda que não sejam espíritas ou não se entreguem conscientemente ao exercício da mediunidade, tais indivíduos são médiuns inspirados, na acepção mais ampla, e o produto de seu trabalho, que pode parecer ao ignorante ser mera cópia, atesta a existência de uma fonte de inspiração universal, sublime, extra cerebral.
Períodos iguais ou semelhantes, frases completas e até textos inteiros apenas com leves diferenças são traduzidos em mensagens de encarnados ou desencarnados, retratando a realidade daquilo que Salomão disse há mais de 2.300 anos: “Nada há de novo debaixo do sol” (Ec 1:9)
Evidentemente, não se pode negar que há indivíduos que agem de má-fé, copiando trabalhos alheios e tomando a si sua autoria. Ou, ainda, elaborando peças que mais parecem colchas de retalho ou colagens de trechos reunidos aqui e acolá, remendando passagens extraídas de meia dúzia de livros, que, com termos ligeiramente modificados, não passam de plágio mesmo. Em vez de aspear citações, apresentam a nova redacção – não raras vezes de pior qualidade que a original – como fruto de sua elaboração.
Entretanto, conhecendo a realidade das correntes mentais, talvez não seja tão difícil distinguir entre os inescrupulosos e aqueles que têm acesso aos conteúdos subtis.
Em muitos casos, basta pesquisar a biografia do sujeito em questão, a contribuição que tem oferecido às comunidades de que participa, suas ações concretas, a “folha de serviços prestados” ou o conjunto da obra. Foi Jesus quem deu a dica: “Conhece-se a árvore pelos seus frutos” (Lc 6:44). Como deduzir que age com deslealdade aquela pessoa, o médium, artista ou cientista, que demonstra, pelos seus atos, possuir valores nobres, dignidade e um conjunto de serviços sobejamente reconhecidos?

Robson Pinheiro Introdução do livro “ENERGIA” de sua autoria.
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Fernanda

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